• Dr. Douglas Kind Eleutério

Vitamina D - A “vitamina do sol"


A vitamina D está sob os holofotes da mídia especializada em saúde. Muitos profissionais, médicos ou não, atribuem à suplementação de vitamina D inúmeros benefícios, como imunidade, longevidade, resistência, cura de doenças entre outros. Mas até onde isso é verdade? O que dizem os artigos científicos sobre isso? Vamos saber mais? O que é a vitamina D? A vitamina D é um hormônio com duas formas principais:

  • Vitamina D2 (ergocalciferol): presente em alguns vegetais.

  • Vitamina D3 (colecalciferol): presente em peixes gordurosos de águas profundas, gema de ovo, fígado bovino e pode ser produzida na pele a partir de precursores metabolizados pelos raios ultravioletas dos sol (UVB).


Tanto a forma D2 quanto a D3 podem ser utilizadas na suplementação, mas a D3 é mais usada na prática, pois tende a aumentar mais os níveis sanguíneos da vitamina D. Qual é a importância da vitamina D e os riscos de apresentar baixos níveis? Saúde óssea e muscular: a vitamina D está associada ao equilíbrio do cálcio e metabolismo ósseo.

  • Deficiência leve: osteoporose, aumento do risco de quedas e fraturas.

  • Deficiência prolongada e severa: provoca hiperparatireoidismo secundário com desmineralização dos ossos (osteomalácia em adultos e raquitismo em crianças). Podem ocorrer ainda dor óssea, fraqueza muscular, fratura e dificuldade para andar.

  • Uma metanálise mostrou redução do risco de fraturas não vertebrais com doses de reposição superiores a 400UI/dia. Outra demonstrou a redução do risco de quedas com doses superiores a 700UI/dia e com níveis séricos acima de 25ng/ml.

  • Estudos associaram níveis de vitamina D < 10ng/ml e 20ng/ml a fraqueza muscular em crianças e adultos.


Saúde cardiovascular: alguns estudos sugerem que baixos niveis de vitamima D estejam associados a um maior risco cardiovascular, mas a suplementação de vitamina D não mostrou redução de desfechos cardiovasculares. Diabetes tipo 1: alguns estudos associaram baixos níveis de vitamina D ao diabetes tipo 1, mas outros estudos não. Saúde respiratória:

  • A deficiência de vitamina D está ligada a declínio acelerado na função pulmonar, aumento da inflamação e imunidade reduzida em doenças pulmonares crônicas.

  • Em relação à asma, os estudos são conflitantes, algum mostrando benefícios, outros não.

  • Suplementação de vitamina D não está associada à prevenção de resfriados, gripes e sinusites.


COVID-19: não há evidências de que a suplementação de vitamina D reduza o risco ou a severidade da COVID-19. Sistema imunológico:

  • A vitamina D apresenta importante papel imunorregulatório em várias células, como CD4, CD8, LT e células apresentadoras de antígenos.

  • A incidência de esclerose múltipla aumenta em latitudes crescentes, correspondendo à redução da exposição ao UVB e menores níveis de vitamina D.

Neoplasias: estudos associaram baixos níveis de vitamina D com maior incidência de câncer colorretal, de mama e de próstata, mas nem todos os resultados são consistentes. Mortalidade geral: há elevação de mortalidade geral com níveis de vitamina D < 20ng/dl e > 50ng/dl. Quando eu devo dosar meus níveis vitamina D? Normalmente os estoques de vitamina D diminuem com a idade, especialmente no inverno por menor intensidade dos raios solares UV. Entretanto, não é indicado rastreamento de rotina na população de risco normal. Nos pacientes de alto risco é recomendada a dosagem. Grupos de alto risco:

  • Tomar medicamentos que aceleram o metabolismo da vitamina D (como a fenitoína).

  • Pacientes hospitalizados, acamados ou institucionalizados (asilos, casas de repouso).

  • Pessoas com mais pigmentação na pele (negros e pardos).

  • Obesos.

  • Baixa exposição solar devido a roupas ou uso consistente de protetor solar.

  • Portadores de doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa, Crohn) e doença celíaca: menor absorção intestinal de nutrientes.


Quais são os níveis ideais de vitamina D? Não há uma definição absoluta sobre isto. As fontes de informação variam:

  • Institute of Medicine (IOM) sugere é manter entre 20-40ng/ml, pois níveis inferiores a 20ng/ml são, com certeza, baixos para a saúde óssea.

  • National Osteoporosis Foundation, International Osteoporosis Foundation e American Geriatric Society sugerem que um nível mínimo de 30ng/ml para adultos mais velhos para minimizar o risco de quedas e fraturas.


No geral, consideramos:

  • Vitamina D > 20ng/ml: suficiente.

  • Vitamina D 12-20ng/ml: insuficiente.

  • Vitamina D < 12ng/ml: deficiente.

  • Vitamina D > 100ng/ml: risco de toxicidade (especialmente se ingesta elevada de cálcio).


Cuidado com suplementação excessiva de vitamina D! Muitos profissionais, por falta de conhecimento técnico, prescrevem formulações com doses absurdamente altas de vitamina D. Veja o que dizem os estudos:

  • Concentrações acima de 50ng/ml: risco de hipercalcemia (elevação perigosa do cálcio).

  • Há estudos que mostraram aumento de fraturas em pacientes tratados com altas doses de vitamina D.

  • Outros estudos descrevem um risco potencial aumentado de mortalidade e de alguns tipos de câncer (por exemplo, pâncreas, próstata) com níveis de vitamina D acima de 30 a 48ng/ml.


Como manter meus níveis de vitamina D normais?

  • Sugere-se exposição solar por 15 minutos por dia para pessoas de pele clara e 30 minutos por dia para pessoas de pele escura. O ideal é que a exposição seja sem protetor solar. É importante avaliação dermatológica de rotina.

  • Em geral, adultos que não têm exposição regular e efetiva ao sol durante todo o ano devem consumir uma dose mais baixa ("de manutenção"), que deve ser definida pelo seu médico. Idosos podem necessitar de doses ligeiramente mais altas.

No caso de deficiência, como repor minha vitamina D? A reposição deve ser realizada por profissional de saúde capacitado. Sugere-se a reposição com colecalciferol (Vit D3) em vez de ergocalciferol (Vit D2), pois o colecalciferol mostrou ser mais eficiente no aumento da vitamina D sérica. Há várias dosagens disponíveis: cápsulas de 400, 800, 1000, 2000, 5000, 10000 e 50000UI. A forma e quantidade de vitamina D utilizada devem ser definidas em cada caso, individualmente, pelo seu médico. A forma injetável não se justifica devido à facilidade de uso das formas orais e por haver relato de ser muito dolorosa. Atenção! Grandes dosagens anuais (500.000UI) ou mensais (60.000 a 100.000UI) aumentaram risco de quedas e fraturas em idosos em alguns estudos.


Este Blog é de caráter informativo. Nenhuma informação dos textos deve ser considerada indicação médica. Dados científicos podem variar conforme a fonte ou o momento de sua publicação. Para esclarecer suas dúvidas ou buscar tratamento, procure um médico.

5 visualizações0 comentário