• Dr. Douglas Kind Eleutério

Os riscos do uso de anabolizantes



Quase todos os dias recebo no consultório pacientes com desejo de ganho de massa muscular ou melhora de performance física por meio do uso de esteroides anabolizantes.


A maioria fala abertamente que deseja "uma ajudinha" no processo de hipertrofia muscular e boa parte desconhece o fato de que tal prática é contraindicada por todos os órgãos reguladores.


O desconhecimento dos pacientes deve-se, em parte, à postura de muitos profissionais (médicos ou não) que prescrevem ou orientam o uso de esteroides livremente, cobrando muito caro por isso, claro. E fazem isso argumentando que não é prejudicial, que existem vários estudos (geralmente de péssima qualidade e tendenciosos) e que já têm experiência na prática... enfim, a boa e velha enrolação, que para os pacientes leigos parece fazer sentido.


O que os pacientes devem questionar é:


Se o uso de esteroides fosse algo apenas benéfico, sem riscos, por que existem recomendações contrárias de órgãos sérios? Por que há tantos médicos negando a prescrição enquanto outros prescrevem?


O que não é dito pelos profissionais prescritores de esteroides, é:

  • NÃO há uso seguro de anabolizantes.

  • NÃO existe terapia pós-ciclo validada para suprimir os efeitos colaterais, eles irão aparecer mais cedo ou mais tarde.


A ânsia pelo corpo perfeito associada à má prática de alguns profissionais cria o cenário perfeito, no qual o paciente acredita que é um jogo de ganha-ganha, mas só quem ganha é o prescritor.


Vamos falar sobre os riscos do uso dos esteroides anabolizantes? Vejam as dicas.

  • Os esteroides atuam no crescimento celular, levando à hipertrofia. São usados por atletas profissionais e amadores para que consigam superar seu próprio potencial genético e massa muscular e/ou performance.

  • Os efeitos colaterais são vários e acometem homens e mulheres:

  1. Excesso de acne e oleosidade da pele.

  2. Queda de cabelo e calvície.

  3. Alterações hepáticas e câncer de fígado.

  4. Alterações de comportamento com agressividade, alucinações, paranoia.

  5. Risco de trombose.

  6. Elevação da pressão arterial, hipertrofia miocárdica (aumento do coração), arritmias cardíacas.

  7. Risco de doenças transmissíveis por agulhas compartilhadas (hepatites, HIV, etc.).

  8. No homem: ginecomastia (aumento das mamas), atrofia/redução testicular, redução da contagem de espermatozoides, impotência (quando interrompe o uso), redução de libido (quando interrompe o uso).

  9. Em mulheres: irregularidade menstrual, engrossamento da voz, aumento do clitóris e redução das mamas (alterações que podem ser irreversíveis).

  10. Adolescentes: comprometimento do crescimento, hipervirilização, alterações comportamentais.

  11. Risco de contaminações com outras substâncias no caso de compra de esteroides fora das farmácias, como aquele comprados em academias e pela internet.


Então o que fazer para conseguir hipertrofia muscular sem usar anabolizantes?

  • Primeiro passo: entender que todos nós temos um potencial genético, que pode ser alcançado ao máximo com um bom treinamento físico (orientado por profissional de educação física), acompanhamento nutricional com nutricionista sério e sono de qualidade.

  • Segundo passo: entender que não existe uma competição entre os seres humanos para ser o mais musculoso ou o mais bonito. Afaste-se das redes sociais, use apenas o necessário. As mídias sociais são responsáveis por gerar uma ansiedade assustadora nos pacientes, que se sentem cada vez mais inferiorizados fisicamente, algo que é nítido nos consultórios. Uma realidade muito triste.

  • Terceiro passo: afaste-se de profissionais (médicos ou não) que orientem o uso "seguro" de esteroides anabolizantes. Eles não estão preocupados em te ajudar.


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia já se posicionou sobre o tema. Veja no link a seguir.


https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-uso-de-anabolizantes-2/


Este Blog é de caráter informativo. Nenhuma informação dos textos deve ser considerada indicação médica. Dados científicos podem variar conforme a fonte ou o momento de sua publicação. Para esclarecer suas dúvidas ou buscar tratamento, procure um médico.

8 visualizações0 comentário