• Dr. Douglas Kind Eleutério

Melatonina - "O hormônio do sono"


Em um mundo em que tudo é rápido, com pessoas cada vez mais ansiosas, os distúrbios do sono são cada vez mais frequentes. Neste cenário, a melatonina surgiu como mais uma arma no arsenal daqueles que buscam qualidade do sono.

Mas como ela funciona?

Será que realmente auxilia na qualidade do sono?

O que é a melatonina?

A melatonina é um hormônio produzido na glândula pineal a partir do aminoácido triptofano e secretado no sangue e no líquido cefalorraquidiano (que envolve o sistema nervoso central). Ela controla o sono e o ritmo circadiano.

O que é ritmo circadiano?

É o ciclo de 24 horas no qual o nosso organismo se baseia para determinar o período sono-vigília e as várias funções dos órgãos e sistemas.

Como a melatonina influencia o ritmo circadiano?

Com o início da noite e o surgimento da escuridão, o fluxo neuronal para a pineal aumenta e há formação de melatonina, que então se difunde para fora da glândula pineal e aumenta suas concentrações plasmáticas em até 20 vezes.

A melatonina parece inibir, por meio de receptores específicos, disparos do núcleo supraquiasmático, um dos responsáveis pelo ciclo sono-vigília, o que pode contribuir para os efeitos de promoção do sono da melatonina.

O que pode afetar a produção da melatonina?

Idade:

Normalmente, o principal fator que afeta a concentração plasmática de melatonina é sua taxa de secreção, que varia com o ritmo circadiano e com a idade.

A secreção de melatonina inicia-se no terceiro ou quarto meses de vida e atinge um pico nas idades de um a três anos. Depois diminui ligeiramente para um platô que persiste até o início da idade adulta. A secreção, então, começa um declínio acentuado e contínuo na maioria das pessoas, sendo que por volta dos 70 anos é igual a um quarto ou menos quando comparada a adultos jovens.

Assim, uma estratégia no uso de melatonina suplementar é administrá-la a adultos mais velhos com insônia associada à idade em doses apenas suficientes para compensar esse declínio relacionado ao envelhecimento.

Uso de telas iluminadas:

O uso prolongado de dispositivos como laptops, tablets e smartphones antes de dormir pode ter um impacto negativo na secreção de melatonina, ritmos circadianos e sono. Um estudo comparou os efeitos da leitura de um livro eletrônico (Ebook) com um livro impresso. Os indivíduos do grupo Ebook tiveram concentrações de melatonina suprimidas no início da noite, sentiram menos sono antes de dormir, demoraram mais para adormecer e relataram sentir-se mais sonolentos na manhã seguinte. Essas observações sugerem que o uso noturno de dispositivos emissores de luz pode contribuir para atrasos de fase no relógio circadiano e dificuldade para iniciar o sono.

Como aumentar a melatonina?

Produtos farmacológicos:

Os produtos de melatonina são regulamentados de forma diferente nos vários países. Muitas vezes, a falta de regulamentação faz com que doses muito altas possam ser vendidas e as preparações podem conter aditivos que têm suas próprias ações farmacológicas e potenciais efeitos colaterais.

No caso de indicação, a dose de melatonina deve ser definida pelo seu médico.

Deve-se ter em mente, ainda, que o uso recorrente de melatonina pode levar à redução do seu efeito por alterações nos receptores da melatonina.

Na prática, as principais e mais difundidas indicações do uso da melatonina são para os trabalhadores que sofrem de jet lag (tripulação de companhias aéreas) e os trabalhadores de turnos.

Alimentos:

Embora tenha sido afirmado que certos alimentos contêm melatonina (vinho, tomate), não há evidências usando técnicas de ensaio específicas de que os alimentos são uma fonte de melatonina ou que as fontes de alimentos aumentam as concentrações plasmáticas de melatonina.

Quais são os riscos de uso excessivo ou superdosagem de melatonina?

Embora a melatonina seja relativamente segura, algumas doses comercializadas (1 a 10mg) podem elevar as concentrações plasmáticas em 3 a 60 vezes os valores de pico normais. As concentrações suprafisiológicas de melatonina produzem vários efeitos biológicos, incluindo sonolência diurna, comprometimento do desempenho mental e físico, hipotermia e hiperprolactinemia.


Este Blog é de caráter informativo. Nenhuma informação dos textos deve ser considerada indicação médica. Dados científicos podem variar conforme a fonte ou o momento de sua publicação. Para esclarecer suas dúvidas ou buscar tratamento, procure um médico.

1 visualização0 comentário