• Dr. Douglas Kind Eleutério

Exercícios físicos em jejum: certo ou errado?


Sabemos que individualmente tanto o treinamento físico aeróbio quanto o jejum são estratégias para aumentar a lipólise ("quebra" de gordura) no tecido adiposo e muscular e, assim, reduzir a quantidade de massa gorda corporal.


Isso é importante para os atletas, pois eles precisam controlar sua composição corporal para otimizar o equilíbrio entre a massa magra e gorda visando melhorar seu desempenho.


Acredita-se que o treinamento em jejum pode auxiliar o processo de melhora do condicionamento físico, por "treinar" o organismo a utilizar as reservas de gordura durante o estresse do exercício físico, uma vez que a fadiga ocorre quando os estoques de glicogênio são consumidos e a taxa de utilização da gordura é insuficiente para atender às demandas de energia.


Vamos saber mais?


O que ocorre no metabolismo durante os exercícios?


Independente de estarmos alimentados ou em jejum, durante o exercício há redução dos níveis de insulina, elevação do glucagon e das catecolaminas. Tais modificações promovem aumento da degradação do glicogênio hepático (uma reserva de carboidratos) e maior consumo de gordura como fonte de combustível.


As vias de queima de gordura são ativadas pelo glucagon e catecolaminas e são inibidas pela insulina.


E durante o jejum? O que ocorre com o metabolismo?


No estado alimentado há maiores concentrações de insulina no sangue, o que diminui lipólise e a oxidação de gordura.


Já no exercício durante o estado de jejum há aumento da lipólise e da oxidação da gordura devido aos níveis mais baixos de insulina e mais altos de catecolaminas, cortisol e glucagon.

Vários estudos de revisão literária mostram que a alimentação antes do exercício aumenta os níveis de insulina (que podem permanecer elevados por cerca de 3h) e isto pode reduzir a lipólise, o transporte de ácidos graxos e oxidação de gordura que são induzidas pelo exercício durante o estado de jejum.


Estas descobertas apoiam o conceito de que a realização de treinamento de resistência durante o jejum aumenta a oxidação de gordura e promove adaptações de longo prazo que são benéficas para a saúde geral e o bem-estar.


Assim, muitos atletas de resistência realizam suas sessões de treinamento após um jejum noturno, na esperança de aumentar o desempenho favorecendo a seleção de gordura como combustível.


No entanto, deve-se ter em mente que existem poucos estudos que examinaram os efeitos do jejum no desempenho físico e os resultados obtidos até agora são inconclusivos, uns mostrando benefícios, outros não.


Então eu devo ou não realizar exercícios em jejum?


Depende. Embora a taxa de lipólise (quebra da gordura) durante treinos intensos seja maior do que nos moderados, a oxidação (aproveitamento) da gordura mostrou-se melhor nos exercícios moderados.


Assim, indivíduos pouco treinados poderiam aproveitar melhor um programa de exercícios em jejum de baixa intensidade que favoreceria o uso de gorduras como fonte de energia e, talvez, melhorassem sua composição corporal.


Entretanto, a literatura, no geral, não recomenda a ideia de que o treinamento em jejum seja a melhor forma de otimizar o controle metabólico e a composição corporal.


Deve-se evitar o treinamento de alta intensidade em jejum. Alguns estudos, inclusive, mostraram redução no desempenho físico em alguns tipos de esportes de alta intensidade no período de jejum. Além disso, exercícios de alta intensidade em jejum podem estar associados ao risco elevado de hipoglicemias.


Dúvidas sobre o assunto?


Agende uma consulta com um profissional qualificado.


Fonte: - Exercise Training And Fasting: Current Insights (Open Access Journal Of Sports Medicine 2020:11 1–28 - Endurance Training In Fasting Conditions: Biological Adaptations And Body Weight Management (Nutr Hosp. 2015;32(6):2409-2420).​


Este Blog é de caráter informativo. Nenhuma informação dos textos deve ser considerada indicação médica. Dados científicos podem variar conforme a fonte ou o momento de sua publicação. Para sanar suas dúvidas ou buscar tratamento, procure um médico.

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